segunda-feira, 25 de outubro de 2010

A origem da Filosofia a partir dos mitos gregos.

Mircea Eliade, em sua obra “História das Crenças e das Idéias Religiosas” nos dá uma boa indicação do porque do desenvolvimento da filosofia na Antiga Grécia. Segundo Eliade, a religião grega sempre foi um politeísmo, no qual os deuses tinham comportamento parecido aos dos homens; os mesmos desejos, impulsos e emoções, com a diferença de que eram imortais. A religião grega, pelas suas características, nunca chegou a ser uma religião estritamente normativa e ligada a um povo específico (os gregos também dividiam muitos deuses com outros povos), como o foram a religião egípcia e a judaica.
Os gregos nunca tiveram um Livro dos Mortos ou um Decálogo. Todavia, os relatos dos bardos – entre eles os mais famosos Homero e Hesíodo – influenciaram a cultura grega da mesma forma. Não através da criação de leis, impedimentos e sanções, mas através de exemplos da vida dos deuses e dos heróis, a Paidéia, que foram incorporados à cultura grega – da poesia às tragédias, da escultura à filosofia. O historiador Werner Jaeger escreve: “O testemunho mais remoto da antiga cultura aristocrática helênica é Homero, se com esse nome designamos as duas epopéias: a Ilíada e a Odisséia. Para nós, é ao mesmo tempo a fonte histórica da vida daqueles dias e a expressão poética imutável de seus ideais” (Jaeger, 2003). Referindo-se a Hesíodo, Jaeger escreve: “O poema de Hesíodo permite-nos conhecer com clareza o tesouro espiritual que os camponeses beócios possuíam, independentemente de Homero. Na grande massa das sagas da Teogonia encontramos muitos temas antiqüíssimos, já conhecidos de Homero, mas também muitos outros que nele não apareceram.” (Jaeger, 2003). Este o arcabouço cultural da Antiga Grécia. As narrações dos dois poetas eram transmitidas de uma geração à outra, terminando por serem fixadas por escrito em torno do século VIII a.C.
Por volta do século VIII a.C. a população na península grega começa a crescer, forma-se as cidades-Estado e aumenta o comércio ultramarino. Estabelecem-se as primeiras colônias de mercadores gregos na Jônia – região hoje ocupada pela Turquia – e na Magna Grécia, a Eléia – região onde hoje se o sul da Itália.
O comércio a agricultura, a navegação, a construção de canais e de pontes, o contato com outros povos, fizeram com que se formasse nestas colônias gregas uma elite intelectual e econômica, que dominava os mais importantes conhecimentos da época: matemática, astronomia, geometria, línguas estrangeiras, escrita e religiões de outros povos.
No plano intelectual, toda esta vasta gama de conhecimentos fez com que jônios e eleatas passassem a encarar o universo de uma maneira diferente. No plano religioso, ainda conheciam as narrativas míticas de Homero e Hesíodo, as registravam e passavam para as gerações posteriores. Mas aos poucos, estas narrativas foram perdendo seu caráter mítico-religioso e mantiveram apenas sua função política de manutenção das tradições cívicas e das instituições das cidades-Estado.
Dentre esta elite altamente intelectualizada da Jônia e da Eléia, com acesso a todas as novas idéias que circulavam na região do Mediterrâneo à época (já que viviam em cidades cosmopolitas ligadas ao comércio) surge um novo grupo de homens: os filósofos. Estes foram os primeiros a não se utilizarem mais do mito para explicar o mundo e seu surgimento, representando provavelmente o primeiro movimento de laicização da cosmogonia, de tentativa de explicação da origem do universo através de meios racionais – evidentemente limitados pelos conhecimentos práticos (científicos?) da época. Estes pensadores, mais tarde conhecidos como pré-socráticos, apresentaram diversas hipóteses para apontar o elemento do qual todo o universo é constituído. As hipóteses variavam da água (Thales de Mileto na Jônia, considerado o primeiro filósofo), para o infinito (Anaximandro de Mileto, introdutor da filosofia na Grécia continental), até os números (Pitágoras de Samos, filósofo da escola eleata).
Todos os pensadores pré-socráticos tentam explicar o fundamento último do universo e, em termos atuais, poderiam também ser chamados de primeiros cientistas. Fato mais importante neste estudo é ressaltar a importância do surgimento da filosofia, como primeira tentativa de explicar o mundo à parte do posicionamento definitivo e por vezes impositivo das religiões. Aí, neste momento, tem origem a filosofia e todas as ciências que surgiram posteriormente.
Os pensadores pré-socráticos – e mesmo pensadores posteriores – não estão definitivamente livres do mito. Em sua linguagem e na construção de suas idéias ainda são utilizados termos oriundos do pensamento mítico. Em muitos relatos ainda há aparição de deuses (a deusa que aparece a Parmênides) ou referência a eles.

Diferença entre mito e filosofia
O mito é um relato que oferece uma explicação definitiva; o mito não precisa de justificativa. Ao contrário, é o mito que justifica uma sociedade, uma cultura, um costume, como vimos acima.
Da maneira como é elaborado, o mito não é para ser criticado ou discutido. Da mesma forma, ele não precisa ser apresentado através de argumentações – ele simplesmente é comunicado à comunidade por aqueles que se consideram os arautos das Musas ou dos Deuses. Vale aqui lembrar que quando uma religião se apropria do mito; este fica sujeito à crítica e precisa apresentar justificativas.
Como exemplo perfeito disto tome-se o mito da Criação e de Adão e Eva. O relato é mais antigo do que o judaísmo. Daí foi incorporado na religião e desde então precisa justificar­se, já que faz parte de um "plano" efetivo de Deus para com a humanidade, segundo o discurso religioso.
A filosofia é uma narrativa que não oferece uma explicação definitiva, já que a discussão é própria da filosofia. Existem sistemas filosóficos que se pretendiam definitivos; que pretendiam oferecer uma explicação definitiva da realidade. Talvez seja por isso que quase se transformaram em seitas.
Outro aspecto é que a filosofia sempre precisa se justificar. O próprio ato de filosofar já implica a apresentação de uma justificativa daquilo que vai ser dito. Por ser um processo baseado na experiência e/ou no raciocínio lógico, a filosofia sempre está sujeita a criticas.

sábado, 16 de outubro de 2010

DESABAFO DE UM PROFESSOR.

Diz uma história que numa cidade apareceu um circo, e que entre seus artistas havia um palhaço com o poder de divertir, sem medida, todas as pessoas da platéia e o riso era tão bom, tão profundo e natural que se tornou terapêutico. Todos os que padeciam de tristezas agudas ou crônicas eram indicados pelo médico do lugar para que assistissem ao tal artista que possuía o dom de eliminar angústias.

Um dia, porém, um morador desconhecido, tomado de profunda depressão, procurou o doutor. O médico então, sem relutar, indicou o circo como o lugar de cura de todos os males daquela natureza, de abrandamento de todas as dores da alma, de iluminação de todos os cantos escuros do nosso jeito perdido de ser.

O homem nada disse, levantou-se, caminhou em direção à porta, e quando já estava saindo, virou-se, olhou o médico nos olhos, e sentenciou:

- "Não posso procurar o circo... Aí está o meu problema: eu sou o palhaço".


Como professor, vejo que, às vezes, sou esse palhaço, alguém que trabalhou para construir os outros e não vê resultado muito claro daquilo que faz. Tenho a impressão que ensino no vazio (e sei que não estou só nesse sentimento) porque, depois de formados, meus ex-alunos parecem que se acostumam rapidamente com aquele mundo de iniqüidades que combatíamos juntos.

Parece que quando meus meninos(as) caem no mercado de trabalho, a única coisa que importa é quanto cada um vai lucrar, não importando quem vai pagar essa conta e nem se alguém vai ser lesado nesse processo. Aprenderam rindo, mas não querem passar o riso à frente, e nem se comovem com o choro alheio.

Digo isso, até em tom de desabafo, porque vejo que cada dia mais meus alunos se gabam de desonestidades. Os que passam os outros para trás são heróis e os que protestam são otários, idiotas ou excluídos, é uma total inversão dos valores.

Vejo que alguns professores partilham das mesmas idéias, e as defendem em sala de aula e na sala de professores, e se vangloriam disso. Essa idéia vem me assustando cada vez mais, desde que repreendi, numa conversa com alunos, o comportamento do cantor Zeca Pagodinho, no episódio da guerra das cervejas e quase todos disseram que o cantor estava certo, tontos foram os que confiaram nele.

"O importante professor é que o cara embolsou milhões", disse-me um; outro: "daqui a pouco ninguém lembra mais, no Brasil é assim, e ele vai continuar sendo o Zeca, só que um pouco mais rico". Todos se entreolharam e riram, só eu, bobo que sou, fiquei sem graça. O pior é quando a gente se dá conta que no Brasil é assim mesmo, o que vale é a Lei de Gérson: "o importante é levar vantagem em tudo".

A pergunta é: É possível, pela lógica, que todo mundo ganhe? Para alguém ganhar é óbvio que alguém tem de perder.

A lógica é:

. Guardar o troco a mais recebido no caixa do supermercado

. Enrolar a aula fingindo que a matéria está sendo dada

. Fingir que a apostila está aberta na matéria dada, mas usá-la como apoio enquanto se joga forca, batalha naval ou jogo da velha

. Dizer que leu o livro, quando ficou só no resumo ou na conversa com quem leu

. Cortar a fila do cinema ou da entrada do show

. Marcar só o gabarito na prova em branco, copiado do vizinho, alegando que fez as contas de cabeça

. Comprar na feira uma dúzia de quinze laranjas

. Brigar para baixar o preço mínimo das refeições nos restaurantes universitários, para sobrar mais dinheiro para a cerveja da tarde

. Bater num carro parado e sair rápido antes que alguém perceba

. Arrancar as páginas ou escrever nos livros das bibliotecas públicas

. Arrancar placas de trânsito e colocá-las de enfeite no quarto

. Fraudar propaganda política mostrando realizações que nunca foram feitas

. Trocar o voto por empregos, pares de sapato ou cestas básicas


É a lógica da perpetuação da burrice... E não adianta pensar que logo bateremos no fundo do poço, porque o poço não tem fundo.

Quando um país perde, todo mundo perde! Parafraseando Schopenhauer: "Não há nada tão desgraçado na vida da gente que ainda não possa ficar pior".

Se os desonestos brasileiros voassem, nós nunca veríamos o sol.

Felizmente há os descontentes, os lutadores, os sonhadores, os que querem manter o sol aceso, brilhando e no alto. No entanto, de nada adianta o conhecimento sem o caráter. A luz é, e sempre foi, a metáfora da inteligência.

Que nas escolas seja tão importante ensinar Literatura, Matemática ou História quanto decência, senso de coletividade, coleguismo e respeito por si e pelos outros.

Acho que o mundo (e, sobretudo, o Brasil) precisa mais de gente honesta do que de literatos, historiadores ou matemáticos. Ou o Brasil encontra e defende esses valores e abomina Zecas, Gérsons, Dirceus, Dudas e todos os marketeiros que chamam desonestidades flagrantes de espertezas técnicas, ou o Brasil passa de país do futuro para país do só furo.

De um Presidente da República espera-se mais do que choro e condecoração a garis honestos, espera-se honestidade em forma de trabalho e transparência.

De professores, espera-se mais que discurso de bons modos, espera-se que mereçam o salário que ganham (pouco ou muito) agindo como quem é honesto.

Quem plantar joio, jamais colherá trigo. A honestidade não precisa de propaganda, nem de homenagens, precisa de exemplos.

Quando reflexões assim são feitas, cada um de nós se sente o palhaço perdido no palco das ilusões. A gente se sente vendendo o que não pode viver, não porque não mereça, mas porque não há ambiente para isso.

Quando seria de se esperar uma vaia coletiva pelo tombo, pelo golpe dado na decência, na coerência, na credibilidade, no senso de respeito, vemos a população em coro delirante gritando "bis" e, como todos sabemos, um bis não se despreza.

Então, uma pirueta, duas piruetas, bravo! bravo! E vamos todos rindo e afinando o coro do "se eu livrar a minha cara o resto que se dane".

Enquanto isso, o Brasil de irmã Dulce, de Manuel Bandeira, do Betinho, de Clarice Lispector, de Chiquinha Gonzaga e de muitos outros heróis anônimos que diminuíram a dor desse país com a sua obra, levanta-se, caminha em silêncio até a porta, vira-se e diz:
"Esse é o problema... Eu sou o palhaço".


. Este texto é atribuído ao Profº Naylor Marques

domingo, 29 de agosto de 2010

Proposta Para Trabalho Bimestral - 3º ano.

Pesquise dois tipos diferentes de cultura, do passado e do presente e procure mostrar como elas resolvem seus problemas de: transporte, alimentação básica, organização sócio-política e defesa da comunidade.
Modalidade: individual
Entrega: 10/09/2010;

Instiruição Social Família - texto Complementar (2º ano - Recriarte)

Família Histórico:
• 1º Cenário – Antiguidade: A CONFIGURAÇÃO DE FAMÍLIA NO SEU SURGIMENTO ESTÁ ATRELADA AO CASAMENTO MONOGÂMICO, HETEROSSEXUAL, AO MODELO PATRIARCAL E A PROPRIEDADE PRIVADA;
• 2º Cenário – Idade Média: A CONFIGURAÇÃO DE FAMÍLIA NO SEU SURGIMENTO ESTÁ ATRELADA AO CASAMENTO MONOGÂMICO, HETEROSSEXUAL, AO MODELO PATRIARCAL E A PROPRIEDADE PRIVADA; “MAS DE FATO ATÉ O FIM DO SÉCULO XVII, NINGUÉM FICAVA SOZINHO. A DENSIDADE SOCIAL PROIBIA O ISOLAMENTO E AQUELES QUE CONSEGUIAM SE FECHAR NUM QUARTO POR ALGUM TEMPO, ERAM VISTOS COMO FIGURAS EXCEPCIONAIS: RELAÇÕES ENTRE PARES, RELAÇÕES ENTRE PESSOAS DA MESMA CONDIÇÃO, MAS DEPENDENTES UMAS DAS OUTRAS, RELAÇÕES ENTRE SENHORES E CRIADOS - ESTAS RELAÇÕES DE TODAS AS HORAS E DE TODOS OS DIAS JAMAIS DEIXAVAM UM HOMEM SOZINHO. ESSA SOCIABILIDADE DURANTE MUITO TEMPO SE HAVIA OPOSTO À FORMAÇÃO DO SENTIMENTO FAMILIAR, POIS NÃO HAVIA INTIMIDADE.”
(ARIÉ, P. HISTÓRIA SOCIAL DA CRIANÇA E DA FAMÍLIA, P.264)
• 3º Cenário – Idade Média: NO FIM DO SÉCULO XVI E DURANTE O SÉCULO XVII VAI SURGIR UM NOVO SENTIMENTO DE FAMÍLIA QUE VEM ACOMPANHADO DE MUDANÇAS SIGNIFICATIVAS EM RELAÇÃO ÁS CRIANÇAS. “A CRIANÇA TORNOU-SE UM ELEMENTO INDISPENSÁVEL DA VIDA COTIDIANA, E OS ADULTOS PASSARAM A SE PREOCUPAR COM SUA EDUCAÇÃO, CARREIRA E FUTURO”
(ARIÉ, P. HISTÓRIA SOCIAL DA CRIANÇA E DA FAMÍLIA, P.270)
• 4º Cenário – Modernidade: NO SÉCULO XVIII “A FAMÍLIA MODERNA, AO CONTRÁRIO, SEPARA-SE DO MUNDO E OPÕE À SOCIEDADE O GRUPO SOLITÁRIO DOS PAIS E FILHOS. TODA ENERGIA DO GRUPO É CONSUMIDA NA EDUCAÇÃO DAS CRIANÇAS, CADA UMA EM PARTICULAR, E SEM NENHUMA AMBIÇÃO COLETIVA: AS CRIANÇAS MAIS DO QUE A FAMÍLIA... ESSA EVOLUÇÃO DA FAMÍLIA MEDIEVAL... DURANTE MUITO TEMPO SE LIMITOU AOS NOBRES... AINDA NO INICIO DO SÉCULO XIX, UMA GRANDE PARTE DA POPULAÇÃO, A MAIS POBRE E MAIS NUMEROSA, VIVIA COMO AS FAMILIAS MEDIEVAIS, COM AS CRIANÇAS AFASTADAS DOS PAIS.”
(ARIÉ, P. HISTÓRIA SOCIAL DA CRIANÇA E DA FAMÍLIA, P.271)
• 5º Cenário – Pós-Guerra: A Europa como civilização mais avançada, promove/sofre guerras que vão alterar as formas de relações pessoais e sociais. Impondo um sentimento de urgência em viver todas as coisas já. Neste contexto a família também será alterada, a criança será entendida como esperança, há uma extensão da família pelo espírito da solidariedade, espírito de comunidade e de cuidado mútuo.
• Família Hoje:
DIVERSIDADE ESTRUTURAL MAIS COMUM: FAMÍLIAS TRADICIONAIS: FAMÍLIAS MONOPARENTAIS; FAMÍLIAS RECASADAS; FAMÍLIAS AMPLIADAS; FAMÍLIAS NÃO CONVENCIONAIS;
• NÃO EXISTE UMA FAMÍLIA IDEAL OU UM MODELO PRÉ-DETERMINADO DE FAMÍLIA, EXISTEM FAMÍLIAS REAIS. INDEPENDENTE DE SUA CONFIGURAÇÃO, A FAMÍLIA CONTINUA SENDO A INSTITUIÇÃO SOCIAL RESPONSÁVEL PELOS CUIDADOS, PROTEÇÃO, AFETO E EDUCAÇÃO DAS CRIANÇAS PEQUENAS, OU SEJA, É O PRIMEIRO E IMPORTANTE CANAL DE INICIAÇÃO DOS AFETOS, DA SOCIALIZAÇÃO, DAS RELAÇÕES DE APRENDIZAGEM.
• AS CRIANÇAS DE FAMÍLIA RICA COSTUMAM TER UMA INFÂNCIA DE LONGA DURAÇÃO, RECEBENDO UMA PROFUSÃO DE BENS QUE NÃO LHES PERMITEM ENTENDER A DIFERENÇA DO TER E NÃO TER, NÃO APRENDE A REPARTIR, E NÃO SABEM O QUE É REALMENTE DESEJAR CONFUNDINDO DESEJAR COM CONSUMIR POR CONSUMIR.
• ACESSO AO CONHECIMENTO SOBRE DESENVOLVIMENTO E APRENDIZAGEM, SOBRE SAÚDE, SOBRE DIREITOS ENTRE OUTROS SABERES, PODEM SER UM IMPORTANTE CONTRAPONTO ENTRE SABERES TÉCNICOS, SABERES COTIDIANOS, VALORES E AS REALIDADES DAS FAMÍLIAS. QUALIFICANDO E AMPLIANDO AS OPORTUNIDADES DE DIGNIDADE PARA FAMÍLIA BRASILEIRA.
• FAMILIA, NO LATIM IA É PLURAL. FAMULUS (SINGULAR) SIGNIFICA ESCRAVO, LOGO: FAMÍLIA É CONJUNTO DE ESCRAVOS
• FAMÍLIA: NÚCLEO PARENTAL, 1. FORMADO POR PAI, MÃE E FILHOS; 2. PESSOA DO MESMO SANGUE, PARENTELA; 3. LINHAGEM, ESTIRPE; 4. GRUPO DE GÊNEROS DE ANIMAIS OU PLANTAS COM CARACTERES COMUNS; 5. CONJUNTO DE TIPOS COM AS MESMAS CARACTERÍSTICAS BÁSICAS.
• A FAMÍLIA, BASE DA SOCIEDADE TEM ESPECIAL PROTEÇÃO DO ESTADO. (C.F capítulo VII, Art. 226. 1988)
• A RELAÇÃO MATRIMONIAL É O FULCRO DA ESTRUTURA FAMILIAR. A SUA PADRONIZAÇÃO EM TERMOS DE SOCIEDADE, QUE A INCLUI, DEPENDE DE UMA VARIEDADE DE FATORES AMBIENTAIS, ADMITINDO A COEXISTÊNCIA DE FORMAS PECULIARES A SETORES DISTINTOS DA SOCIEDADE. (LENHARD, R. IN SOCIOLOGIA EDUCACIONAL, VIII-P. 50)
• FAMÍLIA DE ORIGEM É AQUELA DE NOSSOS PAIS; FAMÍLIA DE REPRODUÇÃO É AQUELA FORMADA PELO INDIVÍDUO COM OUTRO ADULTO E OS FILHOS DECORRENTES.
(PRADO, D. IN O QUE É FAMÍLIA, P.13)
• FAMÍLIA UMA NOVA ÉTICA; UM NOVO COMPROMISSO ; IDENTIDADE/VÍNCULO E DIREITO A DIFERENCIAÇÃO.
• Funções da Família: REGULAÇÃO SEXUAL ; REPRODUÇÃO; SOCIALIZAÇÃO; AFETO; PROTEÇÃO ; EDUCAÇÃO...

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Modelo de Entrevista sobre o Conhecimento de Fé.

• Nome (opcional)

• Profissão:

• idade:

• Qual a sua religião ou doutrina? Herança religiosa de seus pais ou discernimento pessoal?

• Você acredita que as crianças devem se educadas na fé? Por quê?

• O que pensa sobre o acúmulo de riqueza materiais?

• Você se considera uma pessoa ecumênica? Respeita a diversidade religiosa?

• Que valores precisam ser resgatados para vivermos bem em sociedade? Comente:

Tarefa para o 6º ano do Centro Educacional Recriarte.

Os manuscritos do Saara.
No deserto da Mauritânia, famílias preservam livros que transmitem o saber acumulado durante séculos.
Quanto tempo pode durar uma palavra desenhada no chão do Saara? Nem mesmo 1 segundo, se ela for escrita durante uma das freqüentes tempestades de areia que varrem a região. Talvez 1 minuto se os grãos secos e airados do deserto, quase líquidos e tão movediços, escorrerem por conta própria. E quanto tempo pode durar uma biblioteca levada para o coração do Saara? Meio milênio, pelo menos, se estiver sob os cuidados dos berberes da Mauritânia. Esse povo de origem nômade, que há séculos conduz caravanas de camelos pelo Saara, é famoso por seu apego ao conhecimento e pela refinada erudição de seus escritores. Não por acaso a Mauritânia ficou conhecida na História como o país dos milhões de poetas (...)
Durante a Idade Média, quando os países europeus mergulhavam no analfabetismo, os nômades do deserto misturaram sua rústica vida de pastores de camelos, vivida à luz do dia, com a leitura, á luz das lamparinas, de tratados de astronomia, além da composição de poemas épicos e de ensaios filosóficos que acabaram virando clássicos do mundo árabe.
No Saara mauritano de hoje, apesar das inevitáveis transformações trazidas pela modernidade, muitos filhos de pastores ainda são alfabetizados nas mahadras, ou “universidades do deserto”, criadas há séculos. Elas são edificações de adobe (feitas de banko, um tipo de barro extraído das margens dos oásis), erguidas numa arquitetura despojada. As lições vêm das bibliotecas do deserto, coleções preciosas de manuscritos acumulados ao longo de mais de 550 anos e transmitidos de pai para filho há dezenas de gerações. Ali os estudantes aprendem gramática árabe e os fundamentos do islamismo, a religião da Mauritânia, lendo manuscritos de próprio punho por doutores do mundo árabe, a maior parte deles ex-alunos que se transformaram em mestres dessas mesmas escolas. (...)

Farelos do tempo.

Nessa pequena cidade (Chinguetti) 130 quilômetros deserto adentro, uma dezena de bibliotecas guardam livros únicos no mundo. A coleção de livros da família Habott, por exemplo, conserva mais de 1550 obras raras, entre as quais o primeiro Alcorão escrito em papel, datado de 1059, de valor inestimável. Muitos títulos são anteriores à chegada do papel e por isso estão em pergaminhos feitos de pele de gazela. Embora tendo sobrevivido por séculos, muitas obras dessas bibliotecas já trazem sinais da deterioração pelo tempo, pelo ataque dos insetos e, principalmente, pelo constante manuseio dos alunos. Alguns volumes se esfarelam ao simples toque e estão ameaçados de desaparecer. Mesmo assim, as famílias se recusam a removê-los para museus e bibliotecas especialmente condicionados.
“Esses livros vieram das profundezas do tempo e é nossa carta de identidade cultural. Nós daríamos a vida para protegê-los, mas jamais consentiríamos na sua remoção” diz Ahmed Ould Wenane, jovem curador de uma biblioteca familiar. (...)
Hoje, os bibliotecários dedicam parte de seu tempo tentando impedir que se repita a tragédia que consumiu a vizinha Ouadane, 100 quilômetros mais ao note e que chegou a rivalizar com Chinguetti em esplendor e fama. Ouadane rendeu-se quase que inteiramente ao avanço da areia, transformando-se numa cidade fantasma. Uns poucos moradores resistem entre ruínas, palácios e mesquitas. Em Chinguetti, contudo, o orgulho pelo passado ainda mantém acesa a chama da conservação. Um dos maiores paladinos dessa batalha contra o esquecimento é Mohamed Mahmoud, jovem bibliotecário dos Hamoni. Com os recursos destinados pela UNESCO, ele vem catalogando os 250 manuscritos sob sua guarda e melhorando as condições de preservação. Com os donativos, conseguiu instalar armários de metal nas bibliotecas e proteger os volumes mais delicados em caixas de papelão. Melhorias simples, sem dúvida, mas que têm ajudado a salvar tesouros que por séculos ficaram amontoados no chão de celas escuras, separados do deserto apenas por uma pesada porta de madeira.

OS CAMINHOS DA TERRA. São Paulo: Abril. Abr. 1999. p. 54-58

Para responder no caderno.

1) A partir do texto, qual a grande herança deixada de pai para filho, que valor tem essa herança?

2) Qual a realidade vivida pela europa na idade média em comparação aos nômades do deserto?

quinta-feira, 22 de julho de 2010

De quantas coisas não preciso para ser feliz? Frei Betto

Ao viajar pelo Oriente, mantive contatos com monges do Tibete, da Mongólia, do Japão e da China. Eram homens serenos, comedidos, recolhidos e em paz nos seus mantos cor de açafrão. Outro dia, eu observava o movimento do aeroporto de São Paulo: a sala de espera cheia de executivos com telefones celulares, preocupados, ansiosos, geralmente comendo mais do que deviam. Com certeza, já haviam tomado café da manhã em casa, mas como a companhia aérea oferecia um outro café, todos comiam vorazmente. Aquilo me fez refletir: 'Qual dos dois modelos produz felicidade?'

Encontrei Daniela, 10 anos, no elevador, às nove da manhã, e perguntei: 'Não foi à aula?' Ela respondeu: 'Não, tenho aula à tarde'. Comemorei: 'Que bom, então de manhã você pode brincar, dormir até mais tarde'. 'Não', retrucou ela, 'tenho tanta coisa de manhã...' 'Que tanta coisa?', perguntei. 'Aulas de inglês, de balé, de pintura, piscina', e começou a elencar seu programa de garota robotizada. Fiquei pensando: 'Que pena, a Daniela não disse: 'Tenho aula de meditação!
Estamos construindo super-homens e super mulheres, totalmente equipados, mas emocionalmente infantilizados.

Uma progressista cidade do interior de São Paulo tinha, em 1960, seis livrarias e uma academia de ginástica; hoje, tem sessenta academias de ginástica e três livrarias! Não tenho nada contra malhar o corpo, mas me preocupo com a desproporção em relação à malhação do espírito. Acho ótimo, vamos todos morrer esbeltos: 'Como estava o defunto?'. 'Olha, uma maravilha, não tinha uma celulite!' Mas como fica a questão da subjetividade? Da espiritualidade? Da ociosidade amorosa?

Hoje, a palavra é virtualidade. Tudo é virtual. Trancado em seu quarto, em Brasília, um homem pode ter uma amiga íntima em Tóquio, sem nenhuma preocupação de conhecer o seu vizinho de prédio ou de quadra! Tudo é virtual. Somos místicos virtuais, religiosos virtuais, cidadãos virtuais. E somos também eticamente virtuais...

A palavra hoje é 'entretenimento'; domingo, então, é o dia nacional da imbecilização coletiva. Imbecil o apresentador, imbecil quem vai lá e se apresenta no palco, imbecil quem perde a tarde diante da tela. Como a publicidade não consegue vender felicidade, passa a ilusão de que felicidade é o resultado da soma de prazeres: 'Se tomar este refrigerante, vestir este tênis, usar esta camisa, comprar este carro,você chega lá!' O problema é que, em geral, não se chega! Quem cede desenvolve de tal maneira o desejo, que acaba precisando de um analista. Ou de remédios. Quem resiste, aumenta a neurose.

O grande desafio é começar a ver o quanto é bom ser livre de todo esse condicionamento globalizante, neoliberal, consumista. Assim, pode-se viver melhor. Aliás, para uma boa saúde mental três requisitos são indispensáveis: amizades, autoestima, ausência de estresse.
Há uma lógica religiosa no consumismo pós-moderno. Na Idade Média, as cidades adquiriam status construindo uma catedral; hoje, no Brasil, constrói-se um shopping-center. É curioso: a maioria dos shoppings-centers tem linhas arquitetônicas de catedrais estilizadas; neles não se pode ir de qualquer maneira, é preciso vestir roupa de missa de domingo. E ali dentro sente-se uma sensação paradisíaca: não há mendigos, crianças de rua, sujeira pelas calçadas...

Entra-se naqueles claustros ao som do gregoriano pós-moderno, aquela musiquinha de esperar dentista. Observam-se os vários nichos, todas aquelas capelas com os veneráveis objetos de consumo, acolitados por belas sacerdotisas. Quem pode comprar à vista, sente-se no reino dos céus. Deve-se passar cheque pré-datado, pagar a crédito, entrar no cheque especial, sente-se no purgatório. Mas se não pode comprar, certamente vai se sentir no inferno... Felizmente, terminam todos na eucaristia pós-moderna, irmanados na mesma mesa, com o mesmo suco e o mesmo hambúrguer do Mc Donald...

Costumo advertir os balconistas que me cercam à porta das lojas: 'Estou apenas fazendo um passeio socrático.' Diante de seus olhares espantados, explico: 'Sócrates, filósofo grego, também gostava de descansar a cabeça percorrendo o centro comercial de Atenas. Quando vendedores como vocês o assediavam, ele respondia:
"Estou apenas observando quanta coisa existe de que não preciso para ser feliz !"

domingo, 23 de maio de 2010

Sócrates de Atenas. "O homem que sabia perguntar".

“Ele supõe saber alguma coisa e não sabe, enquanto eu, se não sei, tampouco suponho saber. Parece que sou um pouco mais sábio que ele exatamente por não supor que sabia o que não sei” (Sócrates).

Nascido em Atenas, Sócrates (469-399 a.C.) é tradicionalmente considerado uma marco divisório da historia da filosofia grega. Por isso, os filósofos que o antecederam são chamados de pré-socráticos e os que o sucederam são chamados de pós-socráticos. O próprio Sócrates, porém não deixou nada escrito, e o que se sabe dele e de seu pensamento vem dos textos de seus discípulos e de seus adversários.
Conta-se que Sócrates era filho de um escultor e uma parteira. Uma dupla herança que, simbolicamente, o levou a esculpir uma representação autentica do homem, fazendo-o dar á luz suas próprias ideias. O estilo de vida de Sócrates assemelhava-se, exteriormente, ao dos sofistas, embora não vendesse seus ensinamentos. Desenvolvia o saber filosófico em praças públicas, conversando com os jovens, sempre dando demonstrações de que era preciso unir a vida concreta ao pensamento. Unir o saber ao fazer, a consciência intelectual á consciência pratica ou moral. O autoconhecimento era um dos pontos fundamentais de filosofia socrática. Conhece-te a ti mesmo, frase inscrita no templo de Apolo, era a recomendação básica feita por Sócrates a seus discípulos.
Sua filosofia era desenvolvida mediante diálogos críticos com seus interlocutores. Esses diálogos podem ser divididos em dois momentos básicos: ironia e maiêutica.

Na ironia, confunde o conhecimento sensível e dogmático. Sócrates costumava iniciar uma conversação fazendo perguntas e obtendo dessa forma opiniões do interlocutor, opiniões que ele aparentemente aceitava. Depois, por meio de um interrogatório hábil, desenvolvia as opiniões originais do tal interlocutor, mostrando a tolice e os absurdos das suas opiniões superficiais, através das consequências contraditórias ou absurdas destas mesmas opiniões e a confessar o seu erro ou a sua incapacidade para alcançar uma conclusão satisfatória. Esta primeira parte do método de Sócrates destinada a levar o indivíduo à convicção do erro é a ironia.

Na maiêutica, dá à luz um novo conhecimento, um aprofundamento que não chega ao conhecimento absoluto. Ele comparava frequentemente este método com a profissão da mãe: era possível trazer a verdade à luz. Assim, ele voltava-se para os outros, quer fossem adolescentes, militares ou sofistas consagrados como Protágoras e Górgias, e interrogava-os a respeito de assuntos que eles julgavam saber. O seu sentido de humor confundia os seus interlocutores, que acabavam por confessar a sua ignorância, da qual Sócrates extraía sabedoria.
Por exemplo, querendo apreender o conceito de coragem, dirigia-se ao um general, e perguntava-lhe: - você que é general, poderia me dizer o que é a coragem? O general respondia-lhe: - coragem é atacar o inimigo, nunca recuar. Mas Sócrates contradizia: - às vezes temos que recuar para melhor contra atacar. E a partir daí continuava o debate ampliando o conceito.
O exemplo clássico da aplicação da maiêutica é um diálogo platônico (intitulado Mênon), no qual Sócrates leva um escravo ignorante a descobrir e formular vários teoremas de geometria.

Um corruptor da juventude?

Sócrates não dava importância à posição sócio econômica de seus discípulos. Dialogava com ricos e pobres, cidadãos e escravos. O que importava eram as condições interiores psicológicas, de cada pessoa, pois essas condições eram indispensáveis ao processo do autoconhecimento. Para a Democracia ateniense, da qual não participava a maioria da população, composta de escravos, estrangeiros e mulheres, Sócrates foi considerado subversivo. Representava uma ameaça social, na medida em que desrespeitava a ordem vigente e dirigia suas atenções para as pessoas, sem fazer distinções de classes ou posição social. Interessado tão-somente na prática da virtude e na busca da verdade contrariava os valores dogmáticos da sociedade ateniense. Por isso, recebeu a acusação de ser injusto com os deuses da cidade e de corromper a juventude. No final do processo foi condenado a beber cicuta (veneno extraído de uma planta do mesmo nome).
Diante de seus juízes, Sócrates assumiu uma postura viril, altaneira, imperturbável, de quem nada teme. Permanecia absolutamente em paz com sua própria consciência. Se alguém lhe perguntasse: “ Não te envergonhas, Sócrates, de ter dedicado a vida a uma atividade pela qual te condenam a morte?”, ele responderia: Estás enganado, se pensas que um homem de bem deve ficar pensando, ao praticar seus atos, sobre as possibilidades de vida ou de morte. O homem de valor moral deve considerar apenas, em seus atos, se eles são justos ou injustos, corajosos ou covardes.
Foi assim que Sócrates procurou caracterizar sua vida: construindo uma personalidade corajosa e guiando sua conduta pelo seu critério de justiça. Viveu conforme sua própria consciência. Morreu sem ter renunciado a seus mais caros valores morais.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Não se deixe vencer pelo cansaço.

Tarefa Solicitada, para o 6º ano do Centro Educacional Recriarte.


Ao não reconhecer e aceitar as próprias limitações, o vaidoso abre assim o caminho para sua infelicidade. Mascarar as perdas ou aceitar a verdade?Provavelmente você já tenha ouvido falar sobre a fábula atribuída a Esopo, lendário autor grego: “A Raposa e as Uvas”. Com pequenas variações, diz à narração que uma raposa vinha faminta pela estrada até que encontrou uma parreira com uvas maduras e apetitosas. Passou horas pulando tentando pegá-las, mas sem sucesso algum... Depois da luta e já cansada pelo esforço frustrado, saiu murmurando, dizendo que não queria mesmo aquelas uvas, porque afinal elas estavam verdes e não deviam ser boas. Quando já estava indo embora, um pouco mais à frente, escutou um barulho como se alguma coisa tivesse caído no chão... Não pensou duas vezes e voltou correndo por pensar que eram as uvas que estivessem caídas, pois bem sabia que estavam maduras... Mas ao chegar lá, para sua grande decepção, era apenas uma folha que havia caído da parreira. A raposa virou as costas e foi-se embora resmungando, amargurada, pelo resto da vida.
Responda:
a) “Vencer pelo cansaço” é uma forma válida de convencimento?
b) Compare uma situação em que você venceu pelo cansaço com outra em que você é que foi vencido pelo cansaço. Em que as sensações se diferenciam? Traga sua experiência para compartilhar com os colegas.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Eu, Etiqueta.

Em minha calça está grudado um nome que não é meu de batismo ou de cartório, um nome...estranho.
Meu blusão traz lembrete de bebida que jamais pus na minha boca, nesta vida.
Em minha camiseta, a marca de cigarro que não fumo, até hoje não fumei.
Minhas meias falam de produto que nunca experimentei, mas são comunicados a meus pés.
Meu tênis é proclama colorido de alguma coisa não provado por este provador de longa idade.
Meu lenço, meu relógio, meu chaveiro, minha gravata, e cinto e escova e pente, meu corpo, minha xícara, minha toalha de banho e sabonete, meu isso, meu aquilo, desde a cabeça ao bico dos meus sapatos, são mensagens, letras falantes, gritos visuais, ordens de uso, abuso, reincidência, costume, hábito, premência, indispensabilidade, e fazem de mim homem - anúncio itinerante, escravo da matéria anunciada.
Estou, estou na moda.
É doce estar na moda, ainda que a moda seja negar minha identidade, com outros seres diversos e conscientes de sua humana, invencível condição.
Agora sou anuncio, ora vulgar ora bizarro, em língua nacional ou em qualquer língua (qualquer principalmente).
E nisto me comprazo, tiro glória de minha anulação.
Não sou - vê lá – anuncio contratado.
Eu é que mimosamente pago para anunciar, para vender em bares festas praias pérgulas piscinas, e bem á vista exibo esta etiqueta global no corpo que desiste de ser veste e sandália de uma essência tão viva, independente, que moda ou suborno algum a compromete.
Onde terei jogado fora meu gosto e capacidade de escolher, minhas idiossincrasias tão pessoais, tão minhas que no rosto se espelham, e cada gesto, cada olhar, cada vinco da roupa resumia uma estática?
Hoje sou costurado, sou tecido, sou grado de forma universal, saio da estamparia, não de casa, da vitrine me tiram, recolocam, objeto pulsante mas objeto que se oferece como signos de outros trocá-la por mil, açambarcando todas as marcas registradas, todos os logotipos do mercado.
Com que inocência demito-me de ser eu que antes era e me sabia tão diverso de outros, tão mim mesmo, ser pensante, sentinte e solidário.
Por me ostentar assim, tão orgulhoso de ser eu,mas artigo industrial, peço que meu nome retifiquem. Já não me convém o título de homem, meu nome novo é coisa.
Eu sou a coisa, coisamente.

ANDRADE, Carlos Drummond de. O corpo. Rio de Janeiro: Record, 1984. p.85-87.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

O Pensamento Cristão.


Foi conquistada a cidade que conquistou o Universo. Assim definiu São Jerônimo o momento que marcaria a virada de uma época. Era a invasão de Roma pelos germanos e a queda do Império Romano.
A avalancha dos Bárbaros arrasou também grande parte das conquistas culturais do mundo antigo.
A Idade Média inicia-se com a desorganização da vida política, econômica e social do Ocidente, agora transformado num mosaico de reinos Bárbaros. Depois vieram as guerras, a fome e as grandes epidemias. O cristianismo propaga-se por diversos povos. A diminuição da atividade cultural transforma o homem comum num mosaico por crenças e superstições.
O período medieval não foi, porém, a Idade das Trevas, como se acreditava. A filosofia clássica sobrevive, confinada nos mosteiros religiosos. O Aristotelismo dissemina-se pelo Oriente bizantino, fazendo florescer os estudos filosóficos e as realizações científicas. No Ocidente, fundam-se as primeiras universidades, ocorre à fusão de elementos culturais Greco-romanos, cristãos e germânicos, e as obras de Aristóteles são traduzidas pêra o Latim.
Sob a influência da Igreja, as especulações se concentram em questões filosófico-teológicas, tentando conciliar a fé e a razão. È nesse esforço que Santo Agostinho e Santo Tomás de Aquino trazem à luz reflexões fundamentais para a história do pensamento cristão.
(COTRIM, Gilberto)

quinta-feira, 2 de julho de 2009

INSTITUIÇÃO SOCIAL FAMÍLIA

FAMÍLIA BRASILEIRA
A pesquisa do Datafolha é um levantamento por amostragem com abordagem em pontos de fluxo populacional com cotas de sexo e idade e sorteio aleatório dos entrevistados. O conjunto da população com 16 anos ou mais do país é tomado como universo da pesquisa e dividido em quatro sub-universos que representam as regiões Sul, Sudeste, Nordeste e Norte/Centro-Oeste.Em casa sub-universo os municípios são agrupados e sorteados de acordo com o seu porte.Desta forma a pesquisa fornece resultado para o Brasil, regiões e natureza dos municípios que podem ser generalizados dentro de certos limites estatísticos.Nesse levantamento realizado nos dias 01 e 02 de agosto de 2007, foram realizadas 2093 entrevistas em 211 municípios nas seguintes unidades da federação: São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Bahia, Alagoas, Sergipe, Ceará, Distrito Federal, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Piauí, Maranhão, Goiás, Tocantins, Pará, Acre, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Amazonas e Rondônia.A margem de erro máxima decorrente desse processo de amostragem é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos considerando um nível de confiança de 95%. Isto significa que se fossem realizados 100 levantamentos com a mesma metodologia, em 95 os resultados estariam dentro da margem de erro prevista.Essa pesquisa é uma realização da Gerência de Pesquisas de Opinião do Datafolha.

Dados:- 3,8 é o número médio de pessoas por casa - A quantidade média de filhos por família é 2,7 - 27% dos casais estão juntos há mais de dez e menos de 20 anos - Os casados com filhos que têm renda de até dez salários mínimos são 91% - Os brasileiros que não costumam conversar durante as refeições equivalem a 30% - 35% dos brasileiros ganham até dois salários mínimos, e outros 24% ganham entre dois e três salários mínimos - 65% têm escolaridade de nível médio e 15% nível superior - 49% dos homens arcam com a maior parcela das despesas da família. Entre as mulheres, esse percentual cai para 29%Relações de família- 76% dos entrevistados avaliam como ótima/boa a relação com o pai, enquanto 91% dizem o mesmo da relação com a mãe- 71% consideram ótimo/bom o relacionamento com irmãos e 68% com irmãs - No caso do almoço dominical com pai/mãe, 92% professam o hábito; com os filhos, 96%. Com outros integrantes da família, 90% almoçam com avô/avó- Em 90% dos casos em que o filho fica doente quem cuida é a mãe, contra 15% o pai. Acompanhar refeições (83%, elas a 18%, eles); levar ao médico ou dentista (89% a 22%); e ir a reuniões na escola (78% a 21%)- Para 93% delas, o relacionamento é considerado ótimo/bom com os filhos. E 65% avaliam ter dedicado o tempo necessário aos filhos. Já entre os homens, 88% avalia a relação com filhos como ótima/boa e apenas 49% acham que dedicaram o tempo necessário.Labuta doméstica- 9% têm faxineira- 4%, empregado doméstico- 1% dorme no empregoSolidão pesa mais para elas- 60% de quem mora sozinho na região Sul avalia a experiência como ótima/boa; é o maior percentual do país- 38% dos que moram sozinhos nas regiões Norte/Centro-Oeste avaliam a experiência como ótima/boa. No Nordeste, são 42%; no Sudeste, 54% - Na faixa dos 26 aos 40 anos, 77% das mulheres reclamam da falta de companhia; eles são apenas 30% - 37% dos brasileiros são solteiros- 24% de mulheres e homens solteiros no país moram com os paisImpactos da separação- 1 em cada 3 jovens diz ser filho de pais separados, mas apenas 9% dos entrevistados declaram esta situação- 6% são viúvos - Em 75% dos caso é a mulher quem ajuíza o pedido de divórcio- Só 45% pagam pensão. 43% dos que ganham de dez a 20 salários mínimos pagam, contra 31% dos que recebem mais de 20 salários- O percentual de homens que paga pensão para a ex-mulher é de 7%. Entre as mulheres, a taxa das que pagam pensão aos filhos é de 1%- 1 em cada 3 jovens é filho de separados- 22% dos sulistas têm os pais separados, contra 25% em todas as outras regiões do país- 2% dos entrevistados declararam ter filhos de outra relação, e menos ainda, 1%, convivem com filhos de casamento anterior e do atualCasamento e fidelidade- Quatro em cada dez mulheres votaram na “fidelidade” como o item mais importante para um casamento feliz. 35% delas preferiram o ''amor, 14% a “honestidade” e, surpresa, “filhos” e “vida sexual satisfatória” foram a opção de apenas 5%- Para 37% dos homens a fideleidade também é o mais importante para o casamento, seguido de 35% o amor. - 49% de brasileiros casados- 44% selam a união tanto em cartório de registro civil quanto em igreja- Entre os homens, 50% querem se casar novamente e 318, não; entre as mulheres, o cenário é o oposto - A classe A/B trai mais : 24% contra 16% na D/E - Entre os que têm de 16 a 25 anos, 92% dos homens afirmam que o casamento está “ótimo” e “bom”. A diferença com as mulheres é de apenas três pontos percentuais: 89%. - Depois dos 41 anos: 87% dos homens consideram ''bom ou ótimo'' o seu casamento,contra 77% das mulheres. - 14% é o menor índice dos que acham que a fidelidade deve ser a principal qualidade de uma mulher e é registrado na faixa dos que ganham mais de 20 SM. Entre os mais pobres, é de 21% - 14% dos casais entrevistados não têm filhos- Solteiros que já se casaram ou viveram com alguém como se fossem casados são 17% - 84% discorda de que o casamento deva ser mantido pelo “bem dos filhos”Drogas e homossexualismo- Entre os que ganham mais de 20 salários mínimos mensais, cai para 50% os que consideram muito grave fumar maconha - No Norte/Centro-Oeste e no Sul a tolerância ao homosexualismo cai para 15%; no Nordeste, 10% - 57% acham que uma relação homossexual de um filho homem é ''muito grave''. Já se o ocorresse com uma filha, 55% dos entrevistados não achariam ''muito grave''.Aborto- 87% condenaram a interrupção da gravidez. No caso de acontecer dentro da família o número decresce para 71%- A resposta de o aborto ser “moralmente errado” foi dada por 90% dos que têm ou cursam ensino fundamental e por 77% dos de ensino superior- 82% responderam que forneceriam apoio para que a filha levasse a frente a gravidez em qualquer situação. Mas quando a pergunta troca de gênero e se refere a um filho que engravidasse uma garota, o índice dos que apoiariam o nascimento em qualquer circunstância cai para 71% - 15% dos pais entrevistados pressionam filhos a casar quando há a gravidezFamília espalhada- 15% dos pesquisados têm alguém da família morando atualmente no exterior- 27% dos que têm alguém da família que mora no exterior têm formação superior, bem mais que os 11% que têm apenas ensino fundamental - 33% dos parentes de emigrados entrevistados tem renda superior a 20 salários mínimos- A maioria relativa dos emigrados (19%) é das regiões Norte e Centro-OesteVeja a íntegra da pesquisaFonte: Vermelho/ FSPPublicado em 08/10/2007

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Sobre a filosofia de Aristóteles, segundo Jostein Gaarder

SOBRE A FILOSOFIA DE ARISTÓTELES:

Aristóteles de Estagira. (384 a. C à 322 a. C.)
FILÓSOFO E CIENTISTA

Querida Sofia! Certamente você ficou impressionada com a teoria das ideias, de Platão. E você não é a primeira. Não sei se você aceitou tudo sem maiores problemas, ou se tem algum comentário crítico a fazer. Mas se você fez críticas à teoria de Platão, saiba que estas mesmas críticas já foram feitas por Aristóteles (384-322 a.C.). Durante vinte anos ele foi aluno da Academia de Platão.
Aristóteles não nasceu em Atenas. Ele era natural da Macedônia e veio para a Academia quando Platão tinha sessenta e um anos. Seu pai era um médico de renome; um cientista da natureza, portanto. Este pano de fundo já diz alguma coisa sobre o projeto filosófico de Aristóteles. Seu maior interesse estava justamente na natureza viva. Ele não foi apenas o último grande filósofo grego; foi também o primeiro grande biólogo da Europa.
Exagerando um pouco, podemos dizer que Platão estava tão mergulhado nas formas eternas, no mundo das “ideias”, que quase não registrou as mudanças da natureza. Aristóteles, ao contrário, interessava-se justamente pelas mudanças, por aquilo que hoje chamamos de processos naturais.
Exagerando mais ainda, podemos dizer que Platão se apartou do mundo dos sentidos e que só percebia muito superficialmente tudo aquilo que vemos ao nosso redor. (É que ele queria escapar da caverna para espiar o eterno mundo das ideias!) Aristóteles fez exatamente o contrário: ele saiu ao encontro da natureza e estudou peixes e rãs, anêmonas e papoulas.
Você bem poderia dizer que enquanto Platão usou apenas sua razão, Aristóteles – ao contrário – usou também seus sentidos.
Mas há nítidas diferenças entre eles, até mesmo na forma de escrever. Enquanto Platão era poeta e criador de mitos, os escritos de Aristóteles são sóbrios e pormenorizados como os verbetes de uma enciclopédia. Em compensação, muito do que ele escreveu estava baseado em estudos naturais realizados com extrema diligência.
Registros da Antiguidade dão conta de não menos que cento e setenta títulos assinados por Aristóteles. Destes, quarenta e sete chegaram até nossos dias. Não se tratava de livros completos. A maior parte dos escritos de Aristóteles compõe-se de apontamentos feitos para suas aulas. Também na época de Aristóteles, a filosofia era essencialmente uma atividade oral.
A importância de Aristóteles para a cultura européia está também no fato de ele ter criado uma linguagem técnica usada ainda hoje pelas mais diversas ciências. Ele foi o grande sistematizador, o homem que fundou e ordenou as várias ciências.
Como Aristóteles escreveu sobre todas as ciências, vou me limitar a tratar aqui sobre algumas das áreas mais importantes.
E como me detive tanto em Platão, quero falar a você primeiramente sobre os argumentos de Aristóteles contra a teoria das idéias de Platão. Na seqüência, veremos como ele formulou sua própria filosofia natural. Afinal, Aristóteles resumiu o que os filósofos naturais haviam dito antes dele. Veremos também como ele tenta colocar em ordem nossos conceitos e funda a lógica como ciência. Por fim, vou falar um pouco sobre a visão que Aristóteles tinha do homem e da sociedade.
O mundo de Sofia, GAARDER, Jostein; Cia. das Letras, São Paulo, 1998. p. 121-2

Para os Alunos da Turma 6º ano B. do Centro Educacional Recriarte.

No Caderno:
1) O que ficou para você desse trecho do Romance “O Mundo de Sofia”
2) Aponte a divergência intelectual entre Platão e Aristóteles:
3) Por que para Platão o conhecimento sensorial poderia levar o homem ao erro? Justifique com um trecho do romance:
4) Pesquise os termos:
a) Inatismo:
b) Realismo:
c) Empirismo:
d) Racionalismo:

terça-feira, 7 de abril de 2009



Todo homem é filósofo.


"É preciso destruir o preconceito, muito difundido, de que a filosofia é algo muito difícil pelo fato de ser a atividade intelectual própria de uma determinada categoria de cientistas especializados ou de filósofos profissionais e sistemáticos. É preciso, portanto,demonstrar preliminarmente que todos os homens são "filósofos",definindo os limites e as características desta "filosofia espontânea", peculiar a "todo o mundo", isto é, da filosofia que está contida:
1) na própria linguagem, que é um conjunto de noções e de conceitos determinados e não, simplesmente, de palavras gramaticalmente vazias de conteúdo;
2) no senso comum e no bom senso;
3) na religião popular e, consequentemente, em todo o sistema de crenças, superstições, opiniões, modos de ver e de agir que se manifestam naquilo que geralmente se conhece por "folclore". Após demonstrar que todos são filósofos, ainda que a seu modo,inconscientemente -já que, até mesmo na mais simples manifestação de uma atividade intelectual qualquer, na "linguagem", está contida uma determinada concepção do mundo-, passa-se ao segundo momento, ao momento da crítica e da consciência, ou seja, ao seguinte problema: é preferível "pensar" sem disto ter consciência crítica, de uma maneira de sagregada e ocasional, isto é, "participar" de uma concepção domundo "imposta" mecanicamente pelo ambiente exterior, ou seja, por um dos muitos grupos sociais nos quais todos estão automaticamente envolvidos desde sua entrada no mundo consciente (e que pode ser a própria aldeia ou a província, pode se originar na paróquia e na "atividade intelectual" do vigário ou do velho patriarca, cuja "sabedoria" dita leis, na mulher que herdou a sabedoria das bruxas ou no pequeno intelectual avinagrado pela própria estupidez e pela impotência para a ação), ou é preferível elaborar a própria concepção do mundo de uma maneira consciente e crítica e, portanto, em ligação com este trabalho do próprio cérebro, escolher a própria esfera de atividade, participarativamente na produção da história do mundo, ser o guia de si mesmo e não mais aceitar do exterior, passiva e servilmente, amarca da própria personalidade? Pela própria concepção do mundo, pertencemos sempre a um determinado grupo, precisamente o de todos os elementos sociais que compartilham um mesmo modo de pensar e de agir. Somos conformistas de algum conformismo, somos sempre homens-massa ou homens-coletivos. O problema é o seguinte: qual é o tipo histórico de conformismo, de homem-massa do qual fazemos parte? Quando a concepção do mundo não é crítica e coerente, mas ocasional e desagregada, pertencemos simultaneamente a uma multiplicidade de homens-massa, nossa própria personalidade é compósita, de uma maneira bizarra: nela se encontram elementos dos homens das cavernas e princípios da ciência mais moderna e progressista, preconceitos de todas as fases históricas passadas estreitamente localistas e intuições de uma futura filosofia que será própria do gênero humano mundialmente unificado. Criticar a própria concepção do mundo, portanto, significa torná-la unitária e coerente e elevá-la até o ponto atingido pelo pensamento mundial mais evoluído. Significa também, portanto, criticar toda a filosofia até hoje existente, na medida em que ela deixou estratificações consolidadas na filosofia popular. O início da elaboração crítica é a consciência daquilo que é realmente, isto é, um "conhece-te a ti mesmo" como produto do processo histórico até hoje desenvolvido, que deixou em ti uma infinidade de traços acolhidos sem análise crítica. Deve-se fazer,inicialmente, essa análise."


ANTONIO GRAMSCI

quinta-feira, 26 de março de 2009




VISIONAMENTO DO FILME “A GUERRA DO FOGO”

“A guerra do fogo não ocorreu porque alguém sabia o uso prático que o fogo teria, e sim porque era fascinante.” Joseph Campbell

VAMOS VER O FILME!

A obra cinematográfica A GUERRA DO FOGO narra a história de uma tribo Homo Sapiens, ou talvez Cro Magnon, que detém o conhecimento de como manter o fogo aceso, mas não de como produzi-lo. Quando um ataque de uma tribo Homo Neanderthalensis, rival, extingue sua chama primordial, três membros saem numa jornada para conseguir outra chama e reavivar o seu fogo perdido. Durante a jornada, os três entram em contacto com o Homo Sapiens Sapiens, ao salvarem um deles das mãos de uma tribo Homo Neanderthalensis antropófaga. Do contacto com este indivíduo e com sua tribo, mais avançado tecnologicamente, são expostos a diversos conhecimentos novos, principalmente à arte de produzir fogo.

A história narrada no filme “A GUERRA DO FOGO” é “uma jornada de nove meses que resume 40,000 anos de história da humanidade em apenas 125 minutos”. (J. J. ANAUD 2006).
Outra questão relevante que está presente na narrativa é o fato do filme ter como moral da história a descoberta do amor. Narra a história de um personagem que passa de um estado de relações de dominância a um estado de relações emocionais.
Roteiro de Estudo:

1. Por que é que durante a narrativa os personagens sopram, durante a obtenção do fogo?
2. Como é que sabemos que o filme se passa no Paleolítico?
3. Com que intenção os personagens queriam manter o fogo?
4. Como era a alimentação e a habitação destes homens?
5. Aspecto que justifica o nomadismo:
6. Alguma espécie de arte?
7. Que personagem passa de um estado de relações de dominância a um estado de relações emocionais descobrindo o amor?
8. Descreve um momento que indique que os personagens se apaixonaram.

Lançado em 1981, numa produção Franco-Canadiana, La Guerre du feu é uma longa metragem que trata de levantar hipóteses sobre a origem da linguagem através da busca de três homo sapiens para conseguirem uma nova fonte de fogo perdida pela sua tribo; o fogo é um elemento divino e tenebroso para eles. O delírio sobre como esses três guerreiros se relacionariam/comunicariam, encontrariam, disputariam e fariam interações subjectivas é a base do roteiro assinado por Anthony Burguess, foneticista e consagrado autor do livro Laranja Mecânica. Burguess faz incríveis adaptações e linguagens usadas por aqueles hominídeos além de tornar compreensível toda uma história.

sábado, 4 de outubro de 2008

A responsabilidade dos educadores.

Uma das propostas do especilista em projetos inovadores na educação, Edgar Moran, é Aprender a ensinar, sendo o eixo, a comunicação autêntica e aberta entre os professores e alunos. Já é conhecido e alicerce da LDB a preocupação da formação de um cidadão contextualizado. Mas, essa responsabilidade é de toda a sociedade civil. Transferiu-se para a escola e para os professores toda e qualquer responsabilidade. Um aluno passa quatro horas na escola, as outras horas do dia à liberdade total: sem regras, sem horários, sem compromissos, e ainda a responsabilidade de mudança está no professor? Precisamos juntos, profissionais da educação e demais seguimentos sociais (família, igreja, Estado) unir suas forças, na formação desse cidadão. Não buscar responsalilizar os profissionais da educação e tirar o seu time de campo.

Véspera!

4 de outubro de 2008, véspera das eleições municipais.
Hoje muitas famílias estão reunidas para discutir o voto ou até mesmo lançar perspectivas políticas para 2009,outros porém, não estão motivados pelo compromisso cívico que no dia de amanhã lhe espera, pelo contrário, é um pesar, uma obrigação. Parafraseando Bertolt Brecht, não sabe este que o mal uso do seu dever cívico acabará favorecendo os lacáios do povo a alcançar mais uma vez o poder. Assim, dizia Aristóteles, "o homem é por natureza um animal político", e é? Amanhã,teremos os oportunistas a espreita na boca de urna, em atividades ilícitas, desesperadoras para alcançar o pleito...e assim consiguirão, pois o povo brasileiro ainda não tomou conta do seu poder, e aquele que não conhece política favorece politicagem, não percebe este, que tudo, tudo mesmo nasce das decisões políticas, até o seu pãozinho com manteiga, companheiro...Então, aproveite esta noite e perceba o papel do TRE na conscientização do poder do voto, Acorda Brasil.